Venda da Amil ganha força com apoio dos maiores bancos do país




A venda da Amil passou a ganhar contornos mais concretos depois que Bain Capital e Advent iniciaram conversas com Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e BTG Pactual para estruturar o financiamento de uma operação que pode alcançar R$ 20 bilhões, segundo informações publicadas pela imprensa. Embora as negociações permaneçam preliminares, a busca por crédito indica uma etapa mais avançada do processo em relação às tentativas anteriores.

Os fundos estudam diferentes formatos para a transação. Um deles prevê a aquisição do controle da operadora. Outro mantém José Seripieri Filho (Júnior) como acionista e responsável pela gestão da companhia. Até o momento, não há acordo fechado nem confirmação sobre qual modelo poderá ser adotado.

Recuperação elevou o interesse pela operadora

A nova negociação ocorre em um cenário distinto daquele de 2023, quando Júnior comprou a Amil da americana UnitedHealth. Desde então, a empresa passou por uma reestruturação que reduziu prejuízos, fortaleceu a operação e aumentou seu valor para investidores financeiros.

A Amil saiu de uma receita bruta negativa de R$ 4 bilhões em 2023 para uma geração positiva de R$ 5,4 bilhões em 2025. No primeiro trimestre de 2026, registrou lucro líquido de R$ 519,7 milhões, apesar de o resultado ter ficado abaixo do obtido no mesmo período do ano anterior.

Outro movimento relevante foi a criação da joint venture com a Dasa, reunindo 25 hospitais e clínicas de oncologia. A parceria colocou a operação entre as maiores redes hospitalares privadas do país, atrás apenas da Rede D’Or.

Consolidação impulsiona novos negócios na saúde

A possível venda da Amil acompanha um mercado cada vez mais ativo em fusões e aquisições. Dados da KPMG mostram que as operações envolvendo empresas de saúde passaram de 115 em 2023 para 133 em 2024 e 141 em 2025, refletindo o interesse por grupos capazes de integrar planos de saúde, hospitais e laboratórios.

A Amil permanece entre as maiores operadoras brasileiras, com mais de 6 milhões de beneficiários, sendo 3,3 milhões de clientes de planos médicos e 2,7 milhões de planos odontológicos, além de uma rede com mais de 25 mil médicos e serviços credenciados.

Para o mercado, a combinação entre recuperação financeira, escala nacional e integração com ativos hospitalares tornou a Amil novamente competitiva em um momento de consolidação da saúde suplementar, fator que ajuda a explicar o interesse renovado de grandes fundos de private equity.


15/07/2026